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O que é a Licantropia

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O que é a Licantropia
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LENDAS E RUMORES: Que pode transformar um homem num lobo? Existe além da crença popular alguma razão para essa afirmação? Que significa a palavra licantropia? A palavra tem origem num vocábulo grego composto de Lykos [lobo] e tropos [forma]. A crença de que determinados homens podiam se transformar em lobisomens, era atrIbuída na Idade Média à bruxaria. Durante toda a Idade Média acreditou-se nesta transformação. Supunha-se que esses lobos eram feiticeiras, possuídas do segredo de se transformarem em bestas, graças aos seus poderes mágicos. Milhares de pessoas, supostas de se entregarem a essas metamorfoses diabólicas, foram queimadas nesse período. Queimaram-se até mesmo alguns “espíritos mais fortes”  que se recusaram a aceitar a existência dos lobisomens como um tal Guilherme de Lure em Poitiers, na França, segundo relato do escritor francês  Ruffat em La Superstition à travers lês ages (1977). Em 1573 um decreto do parlamento de Dôle na França, [região do Jura, perto da fronteira com a Suiça] determinavam que fossem abatidos os lobisomens. Claude Seignolle em Lês evangiles du Diable (1967) conta que no Perigord [perto de Burdeos] determinados homens, notadamente os filhos de padres, eram forçados, a cada lua cheia, a se transformarem em lobisomens. Era nessa noite que o mal os atingia. Eles só retornavam à forma humana depois de terem agredido ou assassinado suas vítimas. Existe alguma realidade nestes relatos? Seguramente a transformação do homem em lobo jamais existiu, mas temos fatos até recentes que nos oferecem certas explicações. O mais famoso licântropo de que temos referências históricas é o rei armênio Tiridat III (287- 330?), que foi curado pelo patriarca Gregório, o Iluminador. Mas escutemos a medicina atual.

     LICANTROPIA: Existe uma doença da qual temos alguns relatos históricos que confirmam esta crença. No castelo de Ambras, perto de Innsbruck, no Tirol austríaco, se conservam vários quadros que representam um adulto e duas crianças com o rosto coberto de cabelos e uma expressão feroz. Não são mitos ou imagens. Os protagonistas destes retratos viveram realmente. O adulto chamava-se Pedro González e nasceu no seio de uma família, acomodada faz 400 anos, das ilhas Canárias. Apenas alcançada a puberdade, experimentou os sintomas de um hirsutismo feroz, uma hipertricose [crescimento de pelos anormal do grego thrichós gernitivo de thrix pelo] desmesurada que cobriu inteiramente seu corpo de pelos. O hirsutismo é o aumento de pelos terminais como os pelos da barba masculinos. Pode acompanhar uma anormalidade endócrina. A hipertricose é o aumento de pelos locais sem causa hormonal e sem predileção especial por lugar de aparecimento. Pode ser idiopático [sem causa notável] ou decorrente de doenças ou remédios. Voltando ao nosso Pedro, como resultado de sua enfermidade todos se afastavam dele. O chamavam feto do diabo, aborto do inferno etc. Aos 25 anos viajou a Paris donde diziam havia um doutor que poderia curar sua doença. Não deu certo. As pessoas fugiam atemorizadas, as crianças choravam ao vê-lo, e os cachorros o perseguiam latindo. Somente uma mulher teve compaixão dele e devido à sua doçura e carinho recuperou a auto-estima e casou com ela. Mas o drama continuou porque os dois filhos nasceram com a mesma enfermidade por herdar os genes paternos. Recorreu nosso Pedro ao professor Félix Plater de Basiléia, um dos melhores especialistas da época. Mas tudo foi inútil. Não houve outro jeito a não ser se tornarem bobos da corte do Imperador Fernando II da Áustria que mandou imortaliza-los em respectivas pinturas à óleo.

Modernamente  dá-se importância a outra doença mais comum: o lupus eritematoso[lobo vermelho]. Não que transformasse todo o corpo, mas em razão de que esta doença ataca o rosto, contornando-o como se fosse uma máscara de carnaval avermelhada em forma de borboleta, ou deixando as pessoas com aparência de lobos. Um outro aspecto é o das convulsões devido à desordem neurológica que acompanha a doença, causando psicoses desequilibrantes. A doença afeta hoje a 1,4 milhão de americanos e um de cada 250 mulheres afro-americanas entre 18 e 65 anos.  Além de seu aspecto, semelhante ao de um lobo, origem da designação, os doentes afetados por esta doença só saiam à noite pois as radiações solares agravam suas lesões. Além disso, essa doença é acompanhada às vezes, pelo hirsutismo. Era suficiente vislumbrar um paciente, à noite, para acreditar no lobisomem, que na literatura oriental seriam homens-tigre. Até o século XIX era hábito entre os camponeses evitar os passeios durante as noites de lua cheia. Acreditava-se que, além de correrem o risco de encontrarem um lobisomem, poderiam também se transformar em um deles.  Com base neste mito, Stevenson (+1886) escreveu o seu romance The Strange case of Dr. Jekill and Mr Hyde. Segundo certos especialistas, como Jung, a influência do ciclo lunar sobre os impulsos sexuais agressivos pode ser explicada cientificamente. Mas no lupus trata-se das doenças chamadas porfirinas grupo de enfermidades genéticas cuja causa é o mal funcionamento da sequência enzimática do grupo HEM ou HEMO da hemoglobina, o pigmento vermelho do sangue. Este grupo é o que transporta o oxigênio às células do organismo. Este grupo é um composto ferroso com protoporfirinas e de acordo com as leis de Mendel é dominante de modo que qualquer erro na herança produz as doenças chamadas de PORFÍRIAS. Os resultados destas doenças são: Foto-sensibilidade, produto da acumulação das porfirinas metálicas na pele ocasionando sérias lesões. HIRSUTISMO: para se proteger da luz o organismo faz com que cresçam pelos no dorso das mãos nas bochechas, no nariz. O doente foge da luz do dia e, se sai, será à noite. As porfirinas da pele absorvem a energia luminosa e transmitem essa energia ao oxigênio que provém da circulação. Com o excesso de porfirinas se libera oxigênio atômico ou monoatômico que é altamente reativo e produz a destruição dos tecidos A pele apresenta zonas de coloração e de descoloração e os dentes se tornam vermelhos; tudo o que o aproximava do lobo. Por outra parte, o lobo era temido na Europa pela doença da raiva. Os lobos provinham da Polônia ou da Baviera e eram capazes de percorrer grande distâncias em poucos dias. Após atravessar a Alemanha, entravam na França pela “via dos lobos”, situada entre Wissemburg e Sarreguermine [região das Ardennes perto de Metz], antes de se espalhar por todo o território. É precisamente donde se deram a maioria dos casos de bruxaria na França e Alemanha. Precisamente os lobos furiosos eram considerados como animais venenosos, segundo esta prece dirigida a S. Humberto: “Protegei-me dos lobos loucos, dos cachorros loucos e das víboras”. E o santo era o padroeiro da região das Ardennes. A mesma doença que é chamada de hidrofobia. Como lemos em alguns relatos sobre o acesso de raiva de Pierre Boureville(1783) ao olhar este pequeno regato ficou assustado e sentiu todo o corpo estremecer e não podia conter o movimento que o agitava. Morriam 4 ou 6 dias, contados após o início dos sintomas. Pierre estremecia e emitia gritos que assustava a todos. Diante destas considerações vemos como o medo pode aumentar e até distorcer os fatos atribuindo a causas demoníacas coisas que hoje sabemos serem doenças biológicas. Um exemplo: o epiléptico do evangelho (Lc 9, 37-43). Por outra parte as manchas coloridas e os pelos nascidos fora dos lugares comuns davam razão aos que diziam serem marcas do diabo. Na Bíblia temos o caso de Esaú a quem sua mãe imitou cobrindo os braços e pescoço do filho mais novo Jacó com uma pele de cabrito. O fato se explica caso Esaú tivesse a doença da hipertricose ou do hirsutismo idopático.

O mito do Homem-Lobo se registra desde a Idade Média até nossos dias. Na Idade Média se cometia grande quantidade de crimes sádicos e sexuais que sempre terminavam por ser atribuídos a seres sobrenaturais, devido à superstição e ao medo da gente.

Alguns trabalhos curiosos comparam esses delitos sobrenaturais antigos com os crimes sexuais seriais executados por criminais contemporâneos, identificando as violações e os assassinatos atribuídos aos temidos homens-lobo com as barbaridades e sevícias levados a cabo pelos assassinos de hoje.
Em psiquiatria, a licantropia aparece como uma enfermidade mental com tendência canibal, onde o doente se imagina estar transformado em lobo e, inclusive, imitando seus grunhidos. Em alguns casos graves esses pacientes se negam a comer outro alimento que não seja carne crua e bem sanguinolenta.

Isoladamente, tanto as tendências eminentemente sociológicas, quanto as psicológicas e orgânicas fracassaram. Hoje em dia fala-se no elemento bio-psico-social. Volta a tomar força os estudos de endocrinologia, que associam a agressividade do delinqüente à testosterona (hormônio masculino), os estudos de genética ao tentar identificar no genoma humano um possível "gene da criminalidade".

Esses transtornos, normalmente diagnosticados como severas psicoses, apresentam concomitantemente um alto grau de histerismo, cursando com idéias delirantes e mudança total da pessoalidade e, como outras psicoses, não sendo possível separar a realidade do imaginado.

Antigamente, sendo as psicoses de difícil tratamento, proliferavam psicóticos esquizofrênicos e outros doentes mentais, como os sádicos, necrófilos e psicopatas em geral, os quais ocorriam à licantropia como via de saída para seus delírios ou seus instintos mórbidos.

Estes doentes se valiam, como ainda hoje, dos personagens da cultura e do folclore para solidificar a crença em poder transformar-se em lobo, e que, nas noites de lua cheia, seu corpo se cobria de pelo, seus dentes se tornavam pontiagudos e suas unhas cresciam até converter-se em garras. Possuídos por tais delírios, os doentes vagavam pelas ruas assediando suas vítimas, atacando, mordendo e, em algumas ocasiões, esquartejando e comendo partes de seu corpo.

Hoje em dia a medicina conhece outros tipos de doenças que poderiam explicar parte do mito da licantropia, como por exemplo a Porfiria Congênita. Esta doença se caracteriza por problemas cutâneos, foto-sensibilidade e depósitos de porfirina, um pigmento dos glóbulos vermelhos que escurece os dentes e a urina, dando a impressão que o paciente esteve bebendo sangue.

Outras doenças, como por exemplo a Hipertricose ou o Hirsutismo, as quais provocam o crescimento exagerado de pelos por todo o corpo, incluindo a face, eram interpretadas, antigamente, como qualidades sobrenaturais onde os pacientes podiam converter-se em bestas. Mas, por outro lado, ao longo da historia tem surgido alguns criminosos considerados "homens-lobo" devido aos seus métodos canibais de matar a vítima.

As Porfirias são um grupo de doenças genéticas cuja causa é um mau funcionamento da  seqüência enzimática do grupo Heme da  Hemoglobina (a HEMOGLOBINA é o pigmento do sangue que faz que este seja vermelho e é composta pelo grupo Heme e varias classes de GLOBINAS, segundo circunstâncias , normais, que agora não vêem ao caso). O grupo Heme é quem transporta o oxigênio dos pulmões ao resto das células do organismo e é um complexo férrico (em estado ferroso). Qualquer erro na hereditariedade que interfere na síntese do grupo Heme é capaz de produzir as doenças chamadas Porfirias.

 

Os sintomas das Porfirias são:

1) Fotosensibilidade, que se apresenta em todos tipos, menos na chamada Forma Aguda Intermitente. Esta fotosensibilidade é o resultado do acúmulo de porfirinas livres de metal na pele produzindo sérias lesões:
1.a) Hirsutismo. Para o organismo proteger-se da luz, o pelo cresce exageradamente e em lugares não habituais, como no vão dos dedos e dorso das mãos, nas bochechas, no nariz, enfim, nos lugares mais expostos à luz. Evidentemente esses pacientes devem sair quase que exclusivamente à noite.
1.b) Pigmentação. A pele pode apresentar também zonas de pigmentação ou de despigmentação e os dentes podem ser vermelhos fazendo que o aspecto do doente se afaste cada vez mais do ser humano normal e se aproxime da idéia de um monstro.
2) As porfirinas acumuladas na pele, podem absorver luz do sol em qualquer longitude, tanto no espectro ultravioleta, como no espectro visível e logo transferir sua energia ao oxigênio que provêem da  respiração. O oxigênio normalmente não é tóxico, mas com o excesso de energia transferido pelas porfirinas, o oxigênio se libera sob a forma de oxigênio altamente reativo.

Este oxigênio altamente reativo, produz destruição dos tecidos, predominantemente os mais distais e mais expostos, como é o caso das pontas dos dedos, o nariz, etc, oxidando essas áreas de forma violenta, com severa inflamação em forma de queimação.

Assim sendo, quando esses pacientes se expõem à luz, suas mãos se convertem em garras e sua face, peluda em sua totalidade, mostra uma boca permanentemente aberta por lesões repetitivas dos lábios. Estando os dentes descobertos, adquirem aparência maior, sugerindo presas. As narinas, pelos mesmos motivos das lesões, se apresentam voltadas mais para cima e como orifícios tétricos e escuros.

Dessa forma teremos o lobisomem tal qual descrito pelo mito do Homem-Lobo. Imaginemos agora, na metade do século XIV, a possibilidade de encontrarmos em meio de una noite escura, esse tipo de paciente que sai de noite para evitar o dano que produz a luz, com a aparência descrita acima.

A natureza genética das porfirias, juntamente com alguns costumes endogâmicos  (casamento entre membros de uma mesma família) em alguns grupos étnicos da Europa Oriental e entre a nobreza européia em geral, poderia ter desencadeado a doença em pessoas geneticamente ligadas. Pode vir daí a lenda da maldição familiar dos Lobisomens e/ou de ser Lobisomem o sexto ou sétimo filho do casal ou coisas assim.

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Em ambas as gravuras, temos dois pacientes que sofriam de Porfirias.

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